Collection: Ivens Machado

Ao longo de sua obra, Ivens Machado associou a brutalidade da matéria a tensões biológicas primordiais e a estratégias construtivas oriundas da arquitetura vernacular. O uso de materiais de construção obsoletos e o inacabamento deliberado de suas peças as assemelham a corpos arruinados, impregnados de alusões orgânicas e naturalistas. Ferro, cacos de vidro, concreto e entulho, utilizados como elementos compositivos, constituem um ataque à suposta pureza da arte na modernidade. Durante a ditadura militar no Brasil, Machado também produziu performances filmadas que encenavam tortura, conflito racial e mumificação, revelando uma dimensão violentamente política de sua prática — na qual vêm à tona noções de paralisia, exaustão e ocultamento. Seu processo também se estendeu ao desenho, sobretudo em trabalhos que registram o desmantelamento das grades de cadernos pautados por meio de substâncias corrosivas, submetendo o suporte pictórico a uma tática de sabotagem. Em todo o seu corpo de trabalho, Machado estabelece um circuito entre o corpo humano, em sua vulnerabilidade constitutiva, e o corpo escultórico, em sua instabilidade intrínseca.